Hoje, n'A Bola, surge mais um eco, uma repetição do discurso que se vem ouvindo recentemente a partir da FPF, essencialmente, sobre a importância de ter os 'grandes' no futebol feminino, continuando a notar-se a diferença de tratamento de uma Federação que deveria ter os seus filiados e sócios todos tratados por igual e, a proteger, deveria olhar para os mais desfavorecidos, que têm mais dificuldades em angariar apoios, em fazer face aos custos, continuando no entanto a lutar pelos objectivos.
Foi isso que sucedeu com as equipas 'B', cujo período 'experimental' se aproxima do fim e onde já se fala, como nós infelizmente escrevemos, novamente do abandono, provando-se que pouco se importam realmente os dirigentes desse trio com a formação e reiterando-se a crítica a uma FPF que desenhou uma Segunda Liga apenas para acomodar esse trio, sem sequer dar uma igualdade de oportunidades a todas as equipas profissionais das ligas portuguesas, algo que deveria corar de vergonha estes dirigentes.
Hermínio Loureiro hoje volta a elogiar o serviço público que faz falta na RTP, tem toda a razão, mas que surge através d'ABolaTV e da FPF. Alguém, algum dia, poderá esclarecer, explicar a presença do grupo A Bola com o feminino e se não existem incentivos financeiros da FPF para que tal suceda (assim é fácil fazer serviço público e dizer-se que se escreve sobre futebol feminino, basicamente colocando no jornal comunicados da própria federação com tratamento jornalístico medíocre). Sobre a FPF, quando os resumos dos encontros da selecção portuguesa, em Portugal, apenas são obtidos através das páginas de youtube das selecções convidadas, como sucedeu com França e Japão... é um serviço público um pouco, para não dizer muito, pobre, mas o senhor vice-presidente, que acumula cargos, qual típico político, necessita de fazer a apologia do 'seu' serviço.
Voltando à temática 'grandes'. A ideia para por estender a liga feminina de 10 para 14 de forma a acomodar os 'grandes', reduzindo-se no ano seguinte para 12.
Quando Mónica Jorge alude, bem, para os grandes nas outras ligas femininas 'esquece-se' de mencionar que na Alemanha não houve alargamento ou incentivos para acomodar Bayern, Freiburg, 1899 Hoffenheim, Bayer Leverkusen, Wolfsburg... Também ao que se sabe não existiram incentivos para o Olympique Lyon, o Marselha, o PSG, Guingamp, Saint-Étienne, Montpellier, Metz.... ou Arsenal, Leeds United, Manchester City, Liverpool, Everton... em Inglaterra. Também em Espanha não parece ter existido incentivos e ajustes para acomodar Barcelona, Atlético Madrid, Athletic Bilbao, Valencia...
Se trará mais visibilidade ao futebol feminino? Talvez, na parte do trio, não ao todo! Se nem a liga masculina tem, hoje em dia, programas televisivos que lhe prestem atenção, apenas se resumindo, mude-se a estação ou não, a esses três. Ou seja, a preocupação é exactamente por não se pensar somente no seu quintal, em oposição ao que a directora da FPF para o futebol feminino afirma.
A entrada no futebol feminino por parte de outros emblemas, 'grandes' ou não, deverá partir de vontade interna, como sucedeu e vem sucedendo pela Europa fora.
Observando-se as outras modalidades, a realidade portuguesa mostra um aproveitamento atroz desses 'grandes', sem a necessária e justa recompensa, apenas com o intuito de granjear títulos 'fáceis', sem sequer pensar no melhor para cada modalidade e é isso que, provavelmente, sucederá no feminino.
Pensar o futebol feminino globalmente seria criar ligas regionais e nacionais escolares, envolvendo toda a comunidade escolar na prática desportiva e, no caso em particular, no futebol e futsal, criando ainda sinergias entre escolas, clubes, associações distritais e FPF. Assim se criam bases e se envolvem todos. Os 'grandes' 'apenas' têm de fazer, caso se interessem, o que outros 'grandes' fizeram, criam secção, arrancam de base, integram os campeonatos e ajudam a desenvolver a(s) vertente(s).
O futuro dirá o que vai suceder, mas a FPF continua a demonstrar pesos e medidas diferentes e protecção aos mais... fortes!
Mostramos abaixo os vários gráficos identificadores dos valores referentes às assistências médias e às taxas de ocupação na grande maioria das ligas europeias, no que à época 2011 e 2011/12 diz respeito. Como há uma época, deixamos aqui os dados que compilámos, colocando também uma análise evolutiva para que se percebam as tendências, não podendo no entanto deixar de se sublinhar que as subidas e descidas acabam por influenciar, muitas vezes, as variações, seja por se tratarem de clubes com menor implantação, com estádios mais pequenos, ou outras situações similares. Iniciamos com o gráfico referente às assistências médias, onde a Bundesliga alemã prossegue com uma liderança mais do que confortável, aumentando de forma sólida o valor que vinha obtendo em épocas anteriores, dos cerca de 42 mil espectadores de média os germânicos passaram em 11/12 para um valor acima dos 45 mil em média! Inglaterra e Espanha mantêm-se nos outros dois lugares do pódio com ligeiros aumentos, segui...



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