domingo, 3 de março de 2013

Rubin Kazan vs Zenit S. Petersburgo


Rubin Kazan vs. Zenit S. Petersburg




Pos
Team
Pld
W
D
L
GF
GA
GD
Pts
1
19
14
1
4
33
17
+16
43
Fase de Grupos da Liga dos Campeões
2
19
12
5
2
34
18
+16
41
Play-off da Liga dos Campeões
3
19
11
5
3
36
20
+16
38
Play-off da Liga Europa
4
19
10
2
7
32
21
+11
32
3ª Eliminatória Liga Europa
5
19
10
2
7
23
27
−4
32
2ª Eliminatória Liga Europa
6
19
10
2
7
35
30
+5
32
7
19
10
1
8
26
19
+7
31
8
19
9
4
6
27
21
+6
31
9
19
10
0
9
28
25
+3
30
10
19
8
4
7
33
27
+6
28
11
19
5
5
9
20
25
−5
20
12
19
5
4
10
19
31
−12
19
13
19
4
5
10
19
30
−11
17
Play-out
14
19
4
4
11
18
36
−18
16
15
19
2
5
12
18
31
−13
11
Despromoção
16
19
2
3
14
18
41
−23
9



Forma
Rubin Kazan
Europa
E-V-V-V-V-E-V-D
Liga
D-V-V-V-D-V-D-D-V-V-D-D-V-V-V-V-E-D-D
Zenit S. Petersburgo
Europa
D-D-V-D-E-V-V-D
Liga
V-V-V-V-E-D-V-D-E-E-V-V-V-V-V-S-E-V-E


Como se abordou na antecâmara do jogo da primeira volta, falar de Rubin e Zenit é abordar duas formas diferentes de ver, viver e apoiar o futebol, no que a instituições diz respeito, revelando-se estes bons contrastes para confirmar a possibilidade coexistência dentro de uma mesma liga de formas diferentes de apoio. O Rubin é o expoente de uma cidade e uma região, transportado por esta para o principal galarim futebolístico russo, ao passo que o Zenit é uma das ‘faces desportivas’ da Gazprom, a maior empresa de gás natural do mundo, na actual génese e base daquela que poderá ser a futura Superliga ‘soviética’.

Observando a Rússia independente, ou seja pós-1991, estes são os dois grandes clubes fora do domínio capital, recordando-se que até 2007 apenas o Alania Vladikavkaz havia ‘roubado’ um título aos clubes moscovitas (1995), contudo desde esse ano Zenit e Rubin dividiram os espólios, no que à liga russa diz respeito, com três títulos para o clube do norte e dois para os ‘tártaros’.

Este é também um encontro entre ‘capitais’. S. Petersburgo é a capital cultural da Rússia, segunda maior cidade, o seu centro histórico é Património da Humanidade da UNESCO, que lhe atribui 36 complexos arquitecturais históricos, cidade de museus, ‘apenas’ 221, de parques, de bibliotecas, de galerias, de teatros, respira-se cultura… mas também desporto, com o Zenit como símbolo máximo. Kazan auto-apelidou-se de terceira capital do país, patenteou mesmo a alcunha, aceite pelo departamento russo de patentes. A cidade do Tartaristão é milenar, por onde passaram escandinavos a caminho da Babilónia, numa rota comercial menos conhecida, celebrando esse milénio de existência em 2005, com a cidade a sofrer uma profunda renovação, que incluiu o Rubin, elevando o nome de Kazan ao peso histórico que possui.

Se S. Petersburgo é a cidade da cultura, Kazan tem fortes ligações com a ciência, orgulha-se das universidades locais e dali saíram algumas teorias, como os compostos orgânicos, descobertas químicas ou electromagnéticas. Além do Rubin Kazan, a capital do Tartaristão possui equipas campeãs de basquetebol, voleibol, hóquei no gelo, râguebi, pólo aquático, hóquei em campo e bandy, praticamente todos já no século XXI, o que diz muito sobre o recente desenvolvimento da cidade.

Temporada
 
 
 
 
 
 
2003
Zenit SP
1-0
Rubin Kazan
Rubin Kazan
2-2
Zenit SP
2004
Zenit SP
4-3
Rubin Kazan
Rubin Kazan
1-1
Zenit SP
2005
Zenit SP
0-1
Rubin Kazan
Rubin Kazan
1-0
Zenit SP
2006
Zenit SP
1-0
Rubin Kazan
Rubin Kazan
3-0
Zenit SP
2007
Zenit SP
2-1
Rubin Kazan
Rubin Kazan
1-4
Zenit SP
2008
Zenit SP
1-3
Rubin Kazan
Rubin Kazan
4-1
Zenit SP
2009
Zenit SP
0-0
Rubin Kazan
Rubin Kazan
0-0
Zenit SP
2010
Zenit SP
2-0
Rubin Kazan
Rubin Kazan
2-2
Zenit SP
11/12
Zenit SP
2-2
Rubin Kazan
Rubin Kazan
2-3
Zenit SP
 
Zenit SP
1-1
Rubin Kazan
Rubin Kazan
2-2
Zenit SP
12/13
Zenit SP
1-2
Rubin Kazan
Rubin Kazan
 
Zenit SP


Total
V
E
D
M
S
 
Zenit S. Petersburgo
8
7
6
30
28
Rubin Kazan
Em Kazan
 
 
 
 
 
 
Rubin Kazan
3
4
3
17
15
Zenit SP


 
Transferências Inverno 2013
 
 
Entradas
Saídas
Rubin Kazan
Ruslan Abishov
Igor Portnyagin
 
Yann M’Vila
Sergey Dadydov
 
Syarhey Kislyak
Salvatore Bocchetti
 
 
Carlos Eduardo
 
 
Aleksandr Orekhov
 
 
Petr Bystrov
Zenit S. Petersburgo
Neto
Michael Lumb
 
Milan Rodic
Maksim Kannunikov
 
 
Renat Yanbaev
 
 
Dmitri Borodin
 
 
Danko Lazovic


A liga russa é um campeonato ‘maratonista’, com viagens de milhares de quilómetros, inimagináveis numa liga portuguesa ou mesmo ibérica.

Distância Rodoviária
Rubin Kazan
Zenit S. Petersburgo
Moscovo
803 km
704 km
S. Petersburgo
1528 km
 
Kazan
 
1528 km
Perm
593 km
1865 km
Rostov
1444 km
1790 km
Makhachkala
1873 km
2503 km
Nizhny-Novgorod
392 km
1118 km
Samara
363 km
1755 km
Vladikavkaz
1788 km
2418 km
Krasnodar
1704 km
2050 km
Saransk
389 km
1347 km
Grozny
1810 km
2440 km
 
 
 

A ida do Zenit a Kazan é equiparável a uma viagem de Paris a Roma, de Madrid a Amsterdão, de Londres a Praga, de Atenas a Budapeste, do Porto a Marselha… Participar numa liga russa é idêntico a entrar numa competição europeia, no que a deslocações diz respeito, tal a imensidão do país, sublinhando o facto de actualmente não existir nenhuma formação do extremo oriente. Quando o Luch Vladivostok actuava na principal liga russa, por exemplo, obrigava a uma viagem entre S. Petersburgo e a cidade debruçada sobre o Mar do Japão superior a nove mil quilómetros. Para Khabarovsk, esta temporada na segunda liga, são bem mais de oito mil, cerca de quatro mil para Tomsk, Novosibirsk, Novokuznetsk ou cinco mil para Yenisey, tudo formações que se encontram no segundo escalão do futebol russo, para que se perceba melhor a dimensão, ou imensidão, deste país.

A Liga
Com 11 jornadas para o final, a retoma observa CSKA Moscovo na liderança, com 43 pontos, seguindo-lhe Anzhi com 41 e Zenit, que soma 38 pontos. Cada jogo será uma final e um percalço pode significar o adeus ao título, numa disputa entre três equipas com modelos distintos de jogo, formas de pensar o jogo diferentes, ou não fossem orientadas por um consagrado técnico holandês (Hiddink no Anzhi), um italiano que se afirmou na Rússia (Spaletti, no Zenit) e um técnico de escola soviética (Slutskiy, no CSKA), algo que confirma a possibilidade de sucesso de diferentes formas de estudar, ver, aprender e viver o futebol numa mesma liga.

Apenas com duas vagas para a Liga dos Campeões, a luta será acérrima, sabendo-se que um dos três ficará inevitavelmente arredado da liga dos milhões.
O Rubin Kazan caiu na Taça russa, ante o Yenisey, o que obriga a não falhar na liga, sob pena de ficar fora das competições europeias 13/14, numa altura em que já parte com algum atraso face a essas posições. Kuban, Terek e Spartak somam 32 pontos, com Rubin e Lokomotiv a terem 31 e Dínamo a chegar aos 30, ou seja, seis formações em luta por duas vagas para a Liga Europa. O regresso da liga russa observa um derby de Moscovo – Dínamo x Lokomotiv – e um Spartak Moscovo x Terek Grozny, momentos decisivos para definir posições.

Este desafio servirá também para Semak continuar a estender a número de desafios na liga russa, recordando-se que o médio do Zenit segue a par de Loskov do Lokomotiv na liderança absoluta de partidas disputadas no campeonato (452). Também Kerzhakov tem um objectivo. O avançado continua no encalço de Veretennikov, líder total de golos no campeonato – 143 -, com Kerzhakov a somar 129, apenas mais um que Kirichenko, que ultrapassou esta época, numa luta para os livros de história e estatística, querendo também Kerzhakov obter, com certeza, o título de melhor marcador, numa altura em que lidera a lista, com somente 10 golos.
No jogo propriamente dito, os dados estão a favor do Zenit. O clube de S. Petersburgo está melhor na classificação, não perde em campo desde a jornada 8 – derrota em casa ante o Terek – segue em todas as frentes e querer-se-á vingar da derrota da primeira volta. O Rubin Kazan foi eliminado da taça, continua na Europa mas terá uma viagem mais desgastante e longa – desloca-se a Valencia ao passo que Zenit vai à Suíça –, e na liga russa já não vence há três jornadas, tendo perdido os últimos dois desafios. Os jogos e resultados europeus podem influir decisivamente no desenrolar do encontro.

A paragem é longa, obrigando a uma segunda pré-época, com efeitos normalmente nefastos nos jogos europeus, o que não sucedeu este ano com os clubes russos, apesar de se ter verificado com os ucranianos. Com um inverno de temperaturas médias a rondar os 10 graus negativos em Kazan, não diferindo muito de S. Petersburgo, apesar da longa distância, no que às temperaturas diz respeito, mas com a agravante húmida da cidade do Zenit, virada para o Mar do Norte, algo que complica a disputa de jogos e treinos nesta época, naturalmente.
Rubin e Zenit tiveram dois períodos de estágio durante a pausa invernal. Os campeões russos deslocaram-se para o Golfo Pérsico, mais concretamente para o mais mediático dos Emirados Árabes Unidos, o Dubai, passando posteriormente pela Turquia. Os ‘tártaros’, por seu lado, passaram pela Turquia e pela Andaluzia, Marbella.

Como em quase todos os confrontos, não é de espantar a existência de futebolistas que passaram pelo oponente, destacando-se o veterano Semak e Bukharov, que se mudaram de Kazan para S. Petersburgo em 2010. No caso de Bukharov, ainda mais relevante dado ter-se dado a conhecer no Rubin, onde passou seis temporadas. Shirokov é outro que passou pelo Rubin Kazan no seu errante percurso até à chegada a S. Petersburgo.
Especulou-se bastante sobre um regresso de Alejandro Domínguez a Kazan, o que acabou por não suceder, sendo o avançado argentino do Rayo outro futebolista com passado comum às duas formações, com chegada ao Rubin em 2004, mudança de Kazan para S. Petersburgo em 2007 e regresso em 2009, deixando saudades no Tartaristão.
 
Os nomes acima são absolutos, não enquadram uma táctica utilizada, antes os futebolistas com mais minutos para a liga russa em cada formação, daí o trio de centrais no Rubin Kazan, com o 12º mais utilizado a ser também central, Sharonov, indiciando o foco iminentemente defensivo de Berdyev.
O israelita Natkho é um dos poucos totalistas na liga russa, polivalente médio do clube de Kazan, especialista em bolas paradas, enquanto Ryzhikov é o guardião, entre os ‘titulares’ da liga, com melhor relação minutos/golos, ou seja, um golo sofrido a cada 105 minutos. No que à concretização diz respeito, Dyadyun revela-se o mais eficiente, com um tento a cada 176 minutos em média. O ala Kasaev é o melhor e mais assistente, três passes para golo numa média de uma assistência a cada 234 minutos de jogo.
O Rubin Kazan revela ainda um interessante contraste disciplinar. Os ‘tártaros’ são a equipa com menos amarelos, 26, a única abaixo dos 30 avisos, mas é somente batida pelo FK Krasnodar nos vermelhos, sete contra seis!
Do lado do Zenit, o 12º jogador mais utilizado é Bruno Alves, praticamente com o mesmo tempo de utilização de Anyukov. Malafeev encontra-se com uma média de um golo a cada 87 minutos. O melhor marcador e mais eficiente é Kerzhakov com 10 tentos e um golo a cada 110 minutos, em média. Bystrov e Criscito têm quatro assistências cada, com o defesa italiano, infelizmente afastado agora dos relvados no próximo meio ano devido a grave lesão, a revelar-se o mais eficiente, tendo realizado um passe para golo a cada 263 minutos.
Em termos disciplinares, o Zenit soma 38 amarelos e dois vermelhos, registando ainda a derrota na secretaria e dois jogos à porta fechada, devido ao comportamento de alguns ‘adeptos’.
O Rubin Kazan tem sentido a quebra de produção na liga com uma baixa das assistências, abaixo dos 10 mil de média esta temporada, pouco mais de metade dos quase 16 mil de média em 11/12. Por seu turno, o Zenit continua com a lotação à medida do seu estádio, com mais de 20 mil adeptos em média por partida até agora realizada em casa.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CHAVES DO JOGO
- Como acima se abordou, os jogos europeus e o facto da partida entre Rubin e Zenit se disputar no meio da decisão europeia podem ser decisivos positiva ou negativamente no desafio, quer pelos resultados, quer pelo desgaste inerente às viagens.
- Por razões diversas, transferência e lesão, ambas as formações se vêem sem dois italianos com forte desempenho na produção defensiva das equipas. Bocchetti transferiu-se para Moscovo e levará ao cimentar da dupla espanhola no centro da defesa, o que pode até ser favorável, linguisticamente, uma vez que a comunicação com o lateral esquerdo e o médio mais defensivo far-se-á toda em espanhol. Nos campeões a baixa de vulto é Criscito, por lesão, o que poderá trazer à baila desde já o jovem sérvio Milan Rodic, chegado no inverno do OFK Belgrado, não esquecendo Lukovic, um óptimo lateral esquerdo mas que não colhe em Spaletti grande adepto. A solução para a lateral esquerda deverá ser estrangeira, sendo até provável que o técnico italiano descaia Lombaerts para o flanco, colocando a dupla poveira – Bruno Alves-Neto – ou um deles com Hubocan, até por se tratar de um jogo fora.
- O jogo será de expectativa de parte-a-parte. Berdyev procura dar a volta à série de resultados negativos internos, mas não vai arriscar de início pois conhece o poderio do adversário e não será estranho um reforço do miolo abdicando mesmo de Rondón de início, até pela limitação de estrangeiros, podendo o venezuelano entrar no decorrer do desafio. Spaletti não quererá perder, sob pena de se atrasar na luta pelo ceptro nacional, contudo tem a noção do perigoso contra-ataque ‘tártaro’ e poderá colocar Semak com Shirokov, Witsel e Denisov, optando por Hulk solto nas costas de Kerzhakov.
- As bolas paradas poderão decidir a partida, seja nos livres, seja através dos cantos ou bolas laterais, onde os centrais dos campeões são bastante fortes.
- As soluções alternativas; o Rubin é claramente mais débil e menos profundo no que ao plantel diz respeito. Aqui o Zenit leva larga vantagem, tem experiência com Zyrianov por exemplo, tem irreverência com Djordjevic, tem flanco com Faizulin ou Bystrov, tem criatividade com Danny, mesmo que tenha ‘abdicado’ dos golos de Kannunikov.
- Os reforços invernais e o seu encaixe nas dinâmicas de ambos os clubes, especialmente no Rubin Kazan, poderão determinar uma melhor ou pior prestação. Neto revelou-se bastante nervoso no jogo em Liverpool, com nítida falta de comunicação naquela defesa, situação que pode ser explorada pelo Rubin Kazan, caso o defesa central que se mudou de Siena para S. Petersburgo seja primeira escolha de Spaletti, situação que se pode estender a Rodic, também ele novo na defesa. A chegada de Yann M’Vila pode significar a saída de Orbaiz do onze titular, não sendo no entanto de espantar que Berdyev opte por jogar com ambos, dando mais liberdade ao franco-congolês, que tem um grande pulmão e ‘chegada’ à área, podendo ser sacrificado o russo-finlandês Eremenko. O bielorrusso Kislyak é outra solução invernal para o miolo, tendo actuado já nos dois embates europeus de 2013 como interior direito, no sentido de fortalecer o meio-campo.
O histórico de confrontos apenas teve dois nulos, em 2009, e apesar da ideia mais conservadora de jogo por parte dos dois treinadores é de esperar golos, que sempre aconteceram nos encontros entre os dois treinadores e nunca menos de dois, o empate é cenário provável, olhando às estatísticas dos jogos entre Berdyev e Spaletti para a liga, quatro empates em sete partidas, três na temporada transacta.

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